O vício!

By Divine Shape
In dinheiro
Apr 26th, 2012
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Antes, era o vício das compras. Agora, é o vício do jogo. Sem dinheiro. Até há bem pouco tempo, ir às compras era o nosso passatempo preferido. Agora não. Agora, o nosso passatempo preferido é participar em passatempos. Isto até podia ser uma coisa “trendy”, se não fosse um bocadinho triste. Mas é uma tendência, cada vez maior.

Neste jogo não se pode perder, apenas ganhar. Ou não. Mas concorremos sempre, como se não houvesse amanhã, aos passatempos que bloguers e marcas promovem nas redes sociais. Porque esta é a única forma que muitos de nós temos para ter aquilo de que gostamos sem ter dinheiro para isso.

Há de tudo: sapatos, vestidos, carteiras, relógios. Até máquinas de pão. E que jeito me teria dado uma que vi num passatempo recente, já demasiado tarde. E com isto ficamos obcecados, claro: sempre a espreitar os blogues e facebooks com passatempos mais regulares, concorrer a todos, não deixar escapar um, inventar frases, puxar pela imaginação, tirar fotografias, pedir ajuda aos amigos, ufa, uma canseira.

Porque não há dinheiro. Todos os dias o Governo anuncia novos cortes. Nós começamos a cortar também. Primeiro levamos a marmita para o trabalho, enfiamos iogurtes e bolachas nas carteiras para não gastar dinheiro em lanches, depois ainda lá metemos garrafas de água para matar a sede sem abrir a carteira. As carteiras ficam cada vez mais pesadas e cada vez com menos dinheiro.

Comparamos preços no supermercado, optamos por marcas brancas mesmo sabendo que as outras são melhores e provavelmente não se gastam tão rápido (o amaciador de cabelo de um euro que arranjei num supermercado vai voar num instante, porque é preciso uma quantidade considerável de produto para sentir que o usei – mas custava um euro, tive de o trazer).

Vivemos numa época em que o vintage está na moda e em que somos todos um bocado nostálgicos; e a contradição disto tudo é que estamos mesmo a andar para trás.

 

Divine Shape 

 

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Quis ser arquiteta, mas era demasiada geometria para a minha cabeça. O que eu devia ter sido era designer, mas na altura não sabia que isso existia. Tornei-me jornalista há 11 anos, porque gosto de escrever. Gosto das palavras. Também gosto de moda e de design, de coisas diferentes e originais, de descobrir projetos, pessoas e coisas bonitas. Aos 34 anos de idade e três de maternidade, cismei que devia fazer alguma coisa com isso. Criei o projeto Divine Shape em setembro de 2011. Avancei sem saber para onde ia, e estou a adorar. Divine Shape é uma publicação independente on-line, dedicada à divulgação de temas contemporâneos relacionados com o design e a moda.

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