O Dinheiro vem das Árvores?!?

dinheiro on trendalert.meQuantas vezes é que os seus pais lhe disseram que o dinheiro não cresce nas árvores?  E quantas vezes já disse o mesmo aos seus filhos? E agora, diga lá a verdade: alguma vez se sentou com os seus filhos e lhes explicou, muito bem explicadinho, o que é o dinheiro, para que serve, de onde vem, porque é que é importante e, principalmente, como é que desaparece num instantinho?

Muito provavelmente a resposta é não, mas não se preocupe, que não é a única; a maioria dos pais tende a evitar falar com os filhos sobre questões financeiras, por achar que eles são demasiado novos, não têm idade para se preocuparem com este tipo de questões, vão ter muito tempo pela frente para pensarem em dinheiro e por aí fora; quase que se pode dizer que conversar sobre dinheiro com os filhos é um tabu.  Mas cabe aos pais ensinar os filhos a serem financeiramente responsáveis; e para isso, é preciso falar sobre dinheiro, contas, despesas… desde cedo; e partir sempre do mais simples para o mais complicado: não vale a pena dizer a uma criança de 5 ou 6 anos (ou até de nove ou dez) anos que você paga não sei quantos euros de empréstimo da casa, mais outro tanto em compras de supermercado e mais nada – eles não vão compreender; e porquê? Porque, muito simplesmente, não têm noção do valor do dinheiro!

Por isso, se o seu filho já sabe contar, é altura de começar a introduzir o tema “dinheiro” nas vossas conversas; quer saber como? Nós damos umas dicas:

Se o seu filho tem entre 3 e 7 anos de idade, ofereça-lhe um mealheiro; mas um mealheiro que se possa abrir, porque nesta primeira fase as crianças sentem curiosidade e gostam muito de tocar, de sentir o dinheiro; de vez em quando, dê-lhe algumas moedas para a mão, diga-lhe quanto dinheiro é e um ou dois exemplos do que ele pode comprar com elas; por exemplo, €0,10 servem para comprar uma pastilha elástica ou uma goma, €1,00 dá para uma bola, €2,00 já dão para um carrinho ou um bonequinho. A seguir pegue no mealheiro, abra-o e conte com o seu filho as moedas que lá estão – quantas moedas de €0,05, €0,10, etc.; e explique-lhe novamente que com €0,10 ele pode comprar uma pastilha, mas que com 10 moedas iguais àquela pode comprar uma bola e com 20 moedas daquelas pode comprar um carrinho.  Depois, deixe-o decidir o que é que ele prefere – a pastilha, ou guardar e juntar o dinheiro para depois comprar a bola ou o carrinho.

A partir dos seis a sete anos, pode introduzir o conceito de semanada, sobre o qual já falámos aqui; e pode também sentar-se com o seu filho na altura de pagar as contas do mês: coloque as várias facturas em cima da mesa (água, gás, electricidade, prestação do carro, compras de supermercado, etc.); tenha consigo dinheiro suficiente para cobrir essas despesas (mas não em excesso) e coloque-o também em cima da mesa. Para início de conversa, diga ao seu filho quanto dinheiro está na mesa e pergunte-lhe se ele acha que esse dinheiro vai chegar para pagar tudo; a seguir pergunte-lhe se ele acha que vai sobrar; e se sobrar, se ele quer gastar esse dinheiro e em quê. Agora, chegou à hora da verdade: pegue na primeira factura, diga o valor em voz alta e coloque em cima dela o dinheiro correspondente; faça o mesmo com as facturas seguintes. No final, não vai haver dinheiro no monte inicial, certo? Então agora explique ao seu filho porque é que nem sempre lhe pode comprar tudo o que ele quer… Aproveite e explique-lhe também que o dinheiro não cresce nas árvores, ou seja, que os pais têm de trabalhar muito para terem dinheiro para pagar aquelas contas todas no fim do mês e que às vezes até há mais contas para pagar, como o seguro do carro, da casa, etc.

Outras formas de ensinar o seu filho a lidar com o dinheiro são, por exemplo, quando lhe comprar algum brinquedo, dar-lhe o dinheiro para a mão e deixá-lo ser ele a pagar pelo brinquedo na caixa (sob a sua vigilância, claro); a partir dos 4 ou 5 anos de idade, leve o seu filho consigo ao supermercado, deixe que seja ele a colocar as peças de fruta no saco e, em conjunto, contem quantas são; depois, dê-lhe o dinheiro para que seja ele a pagar essas peças de fruta – aos poucos, ele começa a perceber quanto custam 3 maçãs, duas bananas, 4 laranjas… e que algumas frutas são mais caras que outras! Faça o mesmo quando lhe der um lanche for de casa, quando lhe comprar um par de meias e por aí fora.

É claro que existem muitas outras maneiras de ensinar aos seus filhos o que é o dinheiro, para que serve e por aí fora; se optar por outras estratégias, apenas recomendamos que tenha em conta o facto de as crianças precisarem de exemplos práticos e palpáveis para perceberem o valor real do dinheiro, caso contrário o seu esforço será em vão!

 

E agora, ganhe coragem e comece a ensinar ao seu filho qual é o verdadeiro valor do dinheiro!

 

Fonte: Educação Infantil

 

 

 

Natacha Calado

Natacha Calado

Psicóloga clínica de formação; mãe, esposa, dona de casa e amiga dos meus amigos por gosto. Adoro cozinhar, cuidar da casa e da família e, acima de tudo, amo novos desafios (daí fazer parte da equipa TA…); também gosto de ler, de ver bons filmes, de navegar na internet, de fazer crochet e principalmente de DORMIR.
Sou organizada, tranquila e comedida, mas não será difícil encontrarem-me a jogar à bola, a rebolar na relva, a fazer um picnic na praia, a rir às gargalhadas, a fazer bolinhos e bolachinhas e a divertir-me à séria com os meus filhos.
Traje preferido: calças de ganga e ténis, claro; mas os saltos altos também constam do meu guarda-roupa, como não podia deixar de ser!

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