Inesquecível!
Este artigo tem bolinha!!
Vira e mexe aparece uma amiga dizendo que transou em algum lugar inusitado. É impressionante como o ser humano gosta de correr perigo e ter a sensação de que será pego a qualquer instante. Parece que isso potencializa o tesão, não sei… Só sei que tem gente que quanto mais corre risco, melhor. Na realidade, talvez isso seja até uma fantasia coletiva. Não posso generalizar, mas acho que uma grande maioria vai poder dizer que já fez sexo aqui, ali, acolá e que, apesar da adrenalina, foi uma foda inesquecível.
Imaginar que pode ter alguém olhando ou que pode chegar alguém a qualquer momento, faz a trepada ter um sabor diferente. Pense em alguma vez que fez sexo num local que não era apropriado para isso… Foi ou não foi uma metidinha marcante? Você pode nem estar mais com a pessoa em questão… Pode não se lembrar sequer o nome dela, mas da metida você lembra. E da sensação também.
Tem uma amiga minha que me contou recentemente que estava dando uns beijos com um cara do trabalho e que a parada rolava assim: no prédio onde eles trabalham, tinha um andar que estava vago. Durante duas semanas, depois do expediente, os dois iam lá e ficavam na maior putaria. Não rolava penetração, não. O lance, pelo menos pra ela, era ir lá e pagar um boquete pro cara e depois dar área. Ela contou que o cara chegava lá apavorando, que a jogava na parede, puxava o cabelo, beijava horrores, uma loucura. Pra nós (as amigas) ela chamava o cara de “gostosão”. Ela contou que todos os dias chegava no trabalho e ficava num mantra mental: “Hoje eu não vou no nono andar. Hoje eu não vou no nono andar. Hoje eu não vou no nono andar”. Ela ficava nessas porque, claro, tinha medo de alguém se ligar do que estava rolando e ela ser mandada embora. Porém, a xoxota pulante sempre era mais forte do que ela, e mandava o mantra pra casa do cacete (literalmente). Chegava no final do dia, lá estava a minha amiga ajoelhada pagando um sexo oral pro “gostosão”. Bom, isso durou como eu disse, umas duas semanas… Até o belo dia que o cara, querendo conhecê-la “mais a fundo”, a chamou para sair e finalizar o serviço. Foi um tiro no pé, minha amiga desencanou. O que ela queria dele era exatamente o que estava rolando e nada mais. Embora ela soubesse do risco que corria de ir todos os dias para o andar vago, o divertido mesmo era pensar que alguém podia chegar e pegá-la com a boca na botija. Ir até um motel e trepar, para ela, não parecia ter muita graça. Lá, quem poderia chegar? Ninguém. Ir ao motel podia ser com qualquer um, com qualquer P.A, mas não precisava ser com o “gostosão” que era do trabalho. Isso pra ela cheirava confusão. Meio que aquela história de onde se ganha o pão não se come a carne (só o peru). Enfim, tem coisas que são boas do jeito que são, se mudam, deixam de ser interessantes.
Uma vez, quando eu tinha meus dezessete, dezoito anos, eu fui para uma balada com uma amiga e a gente tinha combinado dela dormir na minha casa. Um cara que ela estava ficando, que já tinha transado e tudo, foi pra balada com a gente, mas nesse dia, não sei porque, ela optou por dormir em casa ao invés de dormir com ele. Eu entrei primeiro, e ela ficou no carro com ele. Na ocasião eu morava num sobrado e a janela do meu quarto dava para a rua. Ou seja, dava para eu ver minha amiga no carro. Juro, por tudo quanto é santo, que fui na sacada na maior da inocência, mas quando cheguei, eu quase caí pra trás. Eu pude ver minha amiga fazendo um boquete pro cara em frente a minha casa. Pra ser bem sincera, eu pude ver inclusive o pinto do cara. Pensei comigo: “Nossa, se meus pais acordam agora, tô na roça”. Então, eu fiquei lá, meio que velando o oral alheio. Um tempo depois, a periguete entra em casa toda feliz (pudera!). Aí eu disse: “Porra, pagando boquete em frente da minha casa? Sua louca!”. E ela respondeu: “Eu tinha certeza que você estava vendo!”. Eu fiquei sem resposta e fui dormir. Até hoje me pergunto se ela fez tudo o que fez de caso pensado… Safadinha!
Agora, uma coisa que preciso dizer, até mesmo porque andei perguntando, é que essa pré-disposição para o perigo rola muito mais quando o pinto (ou a bucetinha) é novo (a) no pedaço. Ou seja, parece que as pessoas se dispõem muito mais a correr o risco de alguém pegar no flagra quando é alguém que está começando a se relacionar, quando é um (a) namoradinho (a) novo, do que com casais que já estão há algum tempo juntos. No começo é aquela quebradeira… Mete-se em qualquer lugar, qualquer hora e de qualquer jeito. Depois, com o tempo, o sexo passa a rolar somente em casa. Na cozinha, na sala, no corredor… E depois, passa a rolar só na cama mesmo e olhe lá. Aquelas aventurazinhas de começo de relacionamento inevitavelmente vão por agua abaixo. E é uma pena.
Gostaria de entender onde isso se perde. O que será que acontece? Porque pense bem, se todos os casais que estão juntos há mais de dois anos (sim, porque essa putaria normalmente tem prazo de validade) continuassem correndo perigo, certamente pegaríamos muita gente trepando, ou pelo menos fazendo sem-vergonhices, por aí. E isso não acontece… Pelo menos comigo, não. Afinal, tirando o boquete da minha amiga em frente de casa, eu nunca mais vi nada. E olha que isso já tem uns quinze anos.
Eu admiro, e muito, os casais que sabem inovar, e que não deixam o sexo com adrenalina se perder com os anos. Acho que isso é uma das formas mais eficientes de ter um relacionamento duradouro e de verdade. Tenho a impressão que o que nós, homens e mulheres, queremos é exatamente essa sensação de que somos ousados e que trepamos igual a quando éramos adolescentes e que estávamos descobrindo o sexo.
Apesar da adrenalina acelerar o ritmo cardíaco, aumentar a pressão arterial, dilatar os brônquios e retardar a digestão, correr perigo de vez em quando é um mal necessário, sobretudo no sexo. Aquelas escapulidas no elevador, na garagem do prédio, ou na estrada, é o que faz o sexo não ser rotineiro e chato. E de coisas chatas o mundo está cheio! Vamos colaborar.





