Horus’ Left Eye

Edfu, a cidade de Hórus, desempenhou um papel importante na antiga rota das caravanas, unindo o vale do Nilo às minas do deserto, e foi sede do culto àquele deus que muitos comparam ao grego Apolo.

Nada mais lógico do que visitar o seu templo, da época ptolomeica. Construído entre 237 a.c. e 57 a.c., o Templo de Hórus é de uma majestade e uma pureza arquitectónica que não deixam ninguém indiferente.

A porta do santuário (pequenina, com apenas 37 metros de altura) é guardada por dois falcões, a forma comum de representar o deus regente dos céus e dos astros neles semeados. Praticamente todas as superfícies, dentro e fora do templo, estão cobertas de baixos-relevos e hieróglifos. Mas, infelizmente, algumas foram desfiguradas por cristãos, que as consideravam pagãs!

Foi naquele cenário grandioso, sob um céu azulão, que Farouk nos introduziu na mitologia egípcia… diz a lenda que Ísis pousou, na forma de um pássaro, sobre a múmia do esposo Osíris e, destas núpcias post-mortem, nasceu Hórus. Os deuses são assim, conseguem ser fecundos mesmo depois de mortos!

Mais tarde, Hórus matou o seu tio Set (ah, estas intrigas familiares!) para vingar a morte do pai e assumir o poder no Egito. Numa das batalhas, Hórus perdeu o olho esquerdo, o olho da lua, o que poderá ter originado os ciclos lunares.

Extraordinário como há uma explicação para tudo!

 

Ruthia Portelinha escreve o seu próprio blog, O Berço do Mundo, e as imagens foram cedidas pela mesma.

 

Ruthia Portelinha

Menina saltimbanco, aprendiz de viajante, louca por museus e livros (resultando que é uma míope quase Magoo), mãe babada de um menino traquina, fotografa tudo o que vê e gosta de cozinhar, mas não tem muito jeito.
Esta chocólatra, formada em Jornalismo e com um mestrado em Estudos Europeus, tem alguma inconstância misturada no sangue e muita fome de mundo. Morou no Brasil e adorou a experiência. Agora, só quer viajar! Um dia ainda se perde na estrada, mas na mochila têm que caber o marido, o filho e a sua pequena biblioteca.