Helder Guimarães
Helder Guimarães é o nosso Campeão Mundial de Magia. Helder é um ilusionista que também gosta de se considerar um humorista. Assistir aos seus shows ou ver os seus vídeos não são meras experiências de entretenimento, são também um momento de reflexão sobre alguns paradigmas e preconceitos.
Nasceu no Porto, em 16 de Novembro de 1982. Para potenciar a “herança genética” pela magia foi obrigado a assistir ao Congresso Mundial de Magia de 1982, em Lausanne, dentro do ventre materno. E com 3 dias de vida teve que suportar uma fastidiosa sessão fotográfica em que o pai (o fotógrafo) insistia para que o filho (o modelo) manipulasse cartas de jogar… O destino estava traçado! Quando tomou consciência da sua própria existência, Helder percebeu que já era mágico e que o seu futuro estava nas cartas. Por isso sempre manteve com as cartas uma relação de cumplicidade e (pode mesmo dizer-se) de certa dependência. Esta teimosia acabou por dar os seus frutos e, com apenas 23 anos, Helder Guimarães sagrou-se Campeão Mundial de Magia com Cartas, nos Campeonatos Mundiais de Magia da FISM, em Estocolmo. Tornou-se assim o primeiro mágico português a entrar na lista de Campeões Mundiais de Magia.
Entre viagens do Japão para o Chile, respondeu às perguntas do Trend Alert.
Quem é que já te apeteceu fazer desaparecer?
Tanta gente. Existem muitos cromos por aí. Sobretudo, pessoas com demasiado ego e pouco talento. Portugal vive no paradigma de achar que tudo o que aparece nas televisões e nos jornais é o importante. Por isso, acabamos por mitificar pessoas e personagens em estatutos que não merecem e custa encontrar espaço na concepção de sociedade para quem não quer saber da fama para nada. Todo o lixo mediático podia desaparecer para dar espaço a pessoas que fazem algo de valor.
Onde vais buscar inspiração para números novos?
Procuro sempre que a base de criação seja a minha vida e a realidade. Inspiro-me em livros antigos e novos, em viagens que faço, pessoas que conheço e experiências que tenho. Faço as coisas porque quero comunicar algo, seja a mensagem política, social ou apenas de contemplação estética. O meu objectivo é comunicar ideias e conceitos com o que faço. Tal como Hicks ou Carlin, uso a magia e o humor como ferramenta e não como produto final.
O que é ser cool?
Epá, isso agora… Acho que é fazeres o que queres, quando queres, com quem queres, sem te importares muito com aquilo que o mundo pensa de ti. É engraçado perceber que às vezes quando menos te importas com aquilo que pensam de ti, mais pessoas gostam do que tu fazes. Além disso, acho que usar óculos de sol ajuda.
Na tua área, qual é a grande tendência?
A grande tendência na minha área é ser mau profissional. É uma pena dizer isto, mas a maioria dos mágicos, mesmo profissionais, são maus. A razão pela qual sobrevivem é o facto de ainda existir muito desconhecimento sobre aquilo que a magia é hoje em dia ou pode vir a ser. Existe um boom de novos praticantes a nível mundial, mas a maioria está focada no lado puramente técnico da magia, fazendo com que a live performance esteja longe daquilo que poderia vir a ser.
Neste momento, o que é que achas que está in e que está out?
Honestamente, não faço ideia. O meu mundo é um pouco diferente da realidade da maioria das pessoas. Por isso, diria que ir ver espectáculos ao vivo está in, especialmente se forem feitos por mim. É arrogante? É. Mas também é real. Agora, dizer o que está out vai levantar muita polémica e não sei se o público estará preparado para isso. Aqui vai: Alberto João Jardim. Já está out há uns tempos mas nunca é demais referir.
Uma ideia cool para o País:
A melhor ideia que posso dar ao país é uma revolução cultural. É necessário mudar muitas mentalidades em tantas áreas culturais e de entretenimento, sobretudo das pessoas que estão em lugares de destaque e de poder para mudarem políticas de actuação. É ridículo perceber que muitos talentos portugueses têm de ir viver para fora de Portugal para poderem fazer aquilo que fazem de forma livre. As pessoas que podem mudar coisas não sabem em quem devem apostar ou então têm simplesmente mau gosto. As coisas têm de mudar e temos de saber aproveitar aquilo que fazemos de melhor em cada uma das áreas.
O que nunca vais usar?
Um kilt escocês. Gosto do padrão mas não deixa de ser uma saia por causa disso.
O que vais usar sempre?
Um baralho de cartas. Marca Bycicle, fabricante US Playing Card Company, cor vermelha.
Para saber mais sobre Helder Guimarães, visite o seu website, o canal no YouTube ou a sua página no Facebook.





