Beautiful Lie
Não existiam remorsos. Não existia sentimento de culpa. Era como se eu e ele não tivéssemos mais ninguém. Ele perguntava-se como tinha superado a timidez e me beijado. Eu perguntava-me como tinha “caído” nos braços dele assim, tão facilmente, tão livre de preocupações, vergonha, o que quer que fosse. As saudades cresciam. As mensagens escritas eram muitas, mas por mais palavras trocadas que fossem não apagavam as saudades. Ansiava a próxima vez que iria estar com ele. Ansiava aquele olhar, aquele sorriso e continuava sem perceber o que me tinha levado até ele. Depressa o telemóvel e eu tornámo-nos inseparáveis. Depressa os meus dedos decoraram os locais de cada letra. Depressa surgiu a nossa primeira música. E de repente aquela música tocava em todo o lado e fazia todo e qualquer sentido do mundo. Depressa nos voltámos a encontrar e tudo se repetiu. Num domingo. Numa noite amena. Em que eram já umas sandálias altas que vinham nos pés e umas calças coral que ele tanto gostava. Num carro. Pele na pele. Tudo de novo. Intenso e misterioso.
Depressa, também, o príncipe perfeito desconfiou de qualquer coisa. Uma mensagem. Uma mensagem apenas com uma palavra um pouco comprometedora. Eu acalmei-o e veio um fim-de-semana, longe daqui, passado a dois.





